quinta-feira, 20 de maio de 2010

Hoje

E então hoje eu morri
E nasci de novo
E em meio a noite fria e pensativa na qual eu estava, me vieram as lembranças dos amigos de ginásio... ahh ginásio. Lugar onde estamos à flor da pele, no prazer, no estresse, no descobrir nós mesmos. Há quem diga que o ginásio é nossa casa e há quem defenda a visão de que é nosso inferno. Mas eu, como um adolescente sempre em crise, sempre sozinho, penso que o ginásio é nossa casa infernal de aprendizagem pessoal. Voltando aos amigos do ginásio, que é o objetivo pelo qual eu escrevo; lembrei, então, de um amigo Luís Otávio, muito inteligente na matemática e na geografia como nenhum outro na sala. Confesso que eu sentava ao seu lado, na maioria das vezes com interesse de obter as respostas das equações (que até hoje, não as sei fazer); um menino comum, esforçado, focado, adorava RBD. E então, quando chegamos na oitava série, nos separamos e com isso, o contato foi se encurtando, apesar de sermos vizinhos, quatro a seis casas de distância.  Com 16 anos, por ter uma família um pouco mais humilde, precisou trabalhar em uma plantação de laranjas, onde precisou cavar buracos com uma inchada e acabou por cortar o pé esquerdo. Não é essa a parte pior. Como a maioria sabe RJ e SP nos anos 80 lideravam os rankings de pessoas com GRID (hoje a então AIDS), sua irmã vai a óbito, por esse motivo (lembrando que nos dias de hoje, são as cidades com menores índices de casos da doença). Aos 17 anos foi diagnosticado com tumor cerebral. Como ficaria um adolescente com um super cérebro cheio de ideias, ao saber que suas ideias seriam anuladas ao total? Morreria subitamente ou morreria aos poucos? Essa é a escolha que devemos fazer nas nossas vidas. Não podemos deixar que escolham por nós. Não podemos deixar que outras pessoas sejam responsáveis por nossas alegrias ou tristezas; devemos nós mesmos, agirmos e vivermos, afim de conseguir, mesmo que de árdua forma - encontrarmos nossas felicidades e sanarmos nossas tristezas. Porque o tempo não pára. Então, eu estou vivo mas a qualquer momento posso receber alguma notícia que me matará de vez ou pouco a pouco. E de mim, depende a recuperação principal.
"Beijos&meprocessa"

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